terça-feira, julho, 2019

Tutorial completo de como desenhar mãos

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De todas as partes do corpo, a mão é considerada por muitos a parte mais difícil de ser desenhada. Nós todos temos histórias de como, no começo, nós desenhávamos nossos personagens com as mãos atrás das costas ou com as mãos nos bolsos, para evitar ao máximo o eventual desenho de uma mão. Ainda assim, as mãos são as referências mais onipresentes no nosso cotidiano já que estão sempre no nosso campo de visão. Só com mais um acessório extra, como um pequeno espelho, nós podemos ter as referências de todos os ângulos possíveis. O único desafio é a complexidade dessa parte muito bem articulada: é quase como desenhar uma pequena figura dentro de uma maior, e é difícil saber por onde começar!

Nesse tutorial nós vamos desconstruir a anatomia das mãos e desmitificar a construção dessa, para que quando você olhar para uma mão em busca de referências, você possa achar sentido e suporte em formas simples, complementares entre si.

Eu usarei as seguintes abreviações para os dedos:

  • Po = polegar
  • Di = dedo indicador
  • Dm = dedo do meio
  • Da = dedo anelar
  • Dd = dedinho

O básico

Aqui está uma olhada rápida na estrutura óssea da mão esquerda. Em azul, os oito ossos do carpo, em roxo, os cinco ossos do metacarpo, e em rosa, os 14 ossos da falange.

Como a maioria desses ossos não possui movimento, nós podemos simplificar a estrutura da mão: o diagrama da direita é tudo que você realmente precisa lembrar.

Repare que a base dos dedos, a articulação que corresponde à junta, é muito mais para baixo que a base aparente formada pela pele. Isso é importante para o desenho dos dedos dobrados, como veremos depois.

Baseado no desenho acima, um modo simples de desenhar a mão é começar pela forma básica da palma, uma forma chata (muito como um bife) com ângulos aproximados, e só então adicionar os dedos.

Se você tem dificuldade na hora de desenhar os dedos, pode ajudar se você pensar neles como cilíndricos. Eles são fáceis de desenhar em todos os ângulos, o que previne muita dor de cabeça na hora de pensar na perspectiva. Observe como as bases dos cilindros são exatamente as articulações que você vai precisar fazer para que o dedo se dobre.

Isso é importante: As articulações dos dedos não são alinhadas em linhas retas, mas em arcos concêntricos.

E ainda, os dedos não são retos¸ eles se curvam levemente ou para o Dm ou para Da. Mostrar domínio desse conceito dá um toque especial de vida a um desenho:

Não podemos esquecer das unhas. Não é sempre que existe a necessidade de desenha-las, já que elas são um detalhe que só fica bom se o desenho estiver focado nas mãos, mas normalmente não aprendemos como elas devem ser, e por causa disso, eu não conseguia desenhar unhas por uma eternidade. Aqui estão algumas informações.

  1. A unha começa na metade da articulação superior do dedo
  2. O local onde a unha se separa da carne varia: algumas pessoas possuem unhas maiores, outras possuem unhas largas, e assim por diante.
  3. As unhas não são planas, elas se curvam bem como telhas, com uma curvatura que varia de muito extrema à quase impercebível. Observe sua própria mão e perceba que essa curvatura varia até mesmo de dedo para dedo – mas esse nível de realismo não é necessário no desenha, felizmente.

Proporções

Agora, considerando o comprimento aparento do Di como nossa base, nós podemos seguir as seguintes proporções:

  1. A abertura máxima entre o Po e Di = 1.5
  2. A abertura máxima ente Di e Da = 1. O Dm pode ser próximo a qualquer um dos dois sem afetar a distância total.
  3. A abertura máxima entre o Da e Dd = 1
  4. O maior ângulo possível entre o Po e Dd é 90°. Considerando a base da articulação do Po, o Dd deve estar alinhado com ela.

Como eu disse, isso varia de pessoa para pessoa, e pode variar bastante. Mas lembre-se que desviar da regra no papel pode comprometer seu desenho. Quando você ficar com dúvida, siga essas medidas que vai dar certo.

Detalhes

A forma básica é apenas o primeiro desafio; o segundo desafio é o detalhamento das dobras e das linhas. Quem nunca se frustrou ao tentar desenhar uma mão e não conseguir acertar uma linha se quer?  Vamos tentar analisar as dobras e alguns dos detalhes de medidas:

  1. A extensão virtual da linha originada no pulso separa o polegar dos outros dedos. Uma pequena linha pode marcar a junção do pulso com a mão.
  2. Quando os dedos estão juntos, como acima, o polegar passa um pouco acima da palma.
  3. O Di e Da podem ser tão longos quanto o Dm.
  4. As dobras que marcam as articulações são elípticas ou como parênteses, mas quando a mão está plana como acima, elas não se pronunciam (a não ser que alguém possua articulações bem demarcadas, o que acontece com pessoas que trabalham manualmente) e podem ser desenhas com meras covinhas.
  5. As dobras nas articulações dos dedos evidenciam parecem ser elípticas nas costas da mão, mas elas desaparecem quando os dedos são dobrados. Elas parecem ser linhas paralelas na palma, mas são mais definidas na articulação superior – normalmente você não usaria duas linhas para ilustrar as articulações inferiores.
  6. Nas costas da mão, as linhas dos dedos se estendem até o limite da palma, o que faz com que dedos se pareçam mais longos. Na palma, as linhas são mais curtas porque a parte superior da palma é mais estofado.
  7. As linhas nos finais dos dedos são linhas contínuas (esses traços horizontais curtos) em ambos os lados, e também em ambos os lados essas linhas se afastam do Dm.

Repare também que no diagram acima as unhas não estão de fato desenhadas e sim indicadas de uma forma sútil, apropriada para relevar os níveis de extremo detalhamento. Quanto menor for a mão que você está desenhando, menos detalhes você deve colocar, a não ser que você queira envelhecer seu personagem.

Eu não havia mencionado as linhas das mãos acima, então vamos analisa-las:

  1. As linhas mais visíveis da palma: a linha conhecida como linha do coração, linha da cabeça e linha da vida, que são os lugares onde a pele se acumula quando a mão é dobrada. A não ser que seu estilo seja extremamente realista, não existe necessidade de desenhar as outras linhas, porque isso tornaria seu desenho excessivo.
  2. Não confunda a linha da vida com o contorno do polegar, o que se torna visível dependendo do ângulo. A linha da vida é quase concêntrica com o contorno, mas veja como a parte superior origina a base do Dm.
  3. Da vista lateral, a base estofada dos dedos aparece como uma série de protuberâncias curvadas paralelamente.
  4. Essas dobradas são acentuadas quando os dedos são dobrados
  5. Existe um pequeno levantamento na metade do dedo devido ao acumulo de pele. Esse levantamento desaparece quando os dedos se dobram.

Agora, o que vemos quando a mão está estendida na vista lateral?

  1. Do lado de fora, a linha do pulso se curva até a base da palma, logo, a transição entre os dois é marcada por um levantamento sútil.
  2. O fundo da mão parece ser mais plano de fora do que de dentro
  3. Do lado de fora, a última articulação do Da é completamente exposta porque o Dd está bem para trás
  4. Do lado de dentro, pouco ou nada pode ser visto do Dm, mas isso depende do comprimento do Di.
  5. Do lado de dentro, o pulso é coberto pela base do polegar, logo, a transição é abruta e o levantamento é mais pronunciado.

Repare também que quando vista do lado de fora, a palma revela mais uma linha de contorno. Começa no pulso, e a medida que a mão se vira, mais clara essa linha se torna.

Alcance do Movimento

Uma articulação detalhada sugere movimento, e as mãos se movem constantemente. Não apenas para usos funcionais (como segurar uma caneca, ou digitar algo) mas também com o intuito de expressão, acompanhando nossas palavras ou reagindo as nossas emoções. E portanto, não é nada surpreendente que o desenho das mãos exija esse entendimento complexo dos movimentos dos dedos.  

Os polegares e os dedos

Vamos começar pelo polegar, que funciona isoladamente. É base real, e o centro da movimentação, e fica na parte inferior da mão, aonde essa estrutura se encontra com o pulso.

  1. A posição natural relaxada deixa um espaço entre o Po e o resto da mão
  2. O Po pode se dobrar por cima do Dd, mas exige pressão e rapidamente se torna doloroso.
  3. O Po pode se estender por todo o comprimento da palma, mas isso também exige pressão e se torna rapidamente doloroso.

Os outros quatros dedos possuem movimentos laterais e se dobram principalmente para frente, de forma paralela entre si. Eles podem fazer isso com um certo nível de autonomia, mas nunca sem causar um efeito no dedo mais próximo; tente, por exemplo, dobrar o Dm isoladamente, e veja o que acontece com o resto. O Po é o único completamente independente.

Quando a mão se dobra em um punho fechado e todos os dedos se agrupam, a mão inteira fica em forma de concha, como se estivesse apertando uma bola. A medida que essa bola (vermelha, no desenho abaixo) fica menor, a curvatura se acentua.

Quando a mão se estende completamente (na direita), os dedos podem estar tanto retos quanto levemente dobrados para trás, dependendo na flexibilidade da pessoa. Algumas pessoas podem dobrar os dedos no ângulo de 90°, quando aplicado uma pressão contra a mão.

O pulso completamente fechado também exige uma análise:

  1. O primeiro e o terceiro dedo se dobram completamente, os dedos se encontram formado um cruzamento
    1. A segunda dobra parece ser uma extensão da linha do dedo
    1. Parte do dedo é coberto pelo dedo indicador, o que nos lembra que a estrutura do polegar se sobressai. Você pode fazer com que o Di vá para o lado e não cubra o polegar, é anatomicamente possível, mas simplesmente foge da maneira natural de cerrar o punho.
    1. A articulação do Dm se sobressai das demais, logo, os outros dedos derivam dele. Do ângulo mostrado aqui, os dedos paralelos são visíveis do lado de fora, mas não do lado de dentro
    1. A primeira e a terceira dobra se encontram e criam um cruzamento novamente.
    1. O Po se dobra de certa forma que é possível visualizar a última articulação dele.
    1. Aqui o excesso de pele se destaca.
    1. Quando a mão está cerrada em um punho, as juntas se agrupam e os “parênteses” ficam visíveis.

A mão como um todo

Quando a mão está relaxada, os dedos se dobram levemente – especialmente quando eles estão apontados para cima e a gravidade força eles a se dobrarem. Em ambos os casos, o Di permanece como o dedo mais reto, e o Dd o mais curvado.

O dedinho frequentemente “escapa” e se isola dos outros dedos – e essa é uma forma que tornar sua mão mais realística. O Di e o Dm ou o Dm e o Da frequentemente se agruparão, formando duplas, enquanto os outros dois ficam mais despojados. Isso faz com que sua mão ganhe vida. A dupla Da e Dd também pode acontecer, se a mão estiver levemente flexionada.

Já que os dedos não possuem o mesmo comprimento, eles sempre apresentam uma graduação. Quando seguram alguma coisa, como na figura abaixo, o Dm (1) segura o objeto mais visualmente, enquanto o Dd (2) quase nem aparece.

Ao segurar uma caneta ou algo do estilo, Dm, Da e Dd se curvam em direção a palma se o objeto estiver posicionado entre o Po e Di (pegue um lápis gentilmente e você observará isso). Se você aplicar mais pressão, o Dm começa a participar e se endireita a medida que aplica mais pressão no objeto. Uma maior pressão resulta nos dedos apontando como na figura abaixo.

Como nós vimos, a mão e o pulso são muito bem articulados, cada dedo praticamente possui autonômica, o que faz com que as mão tendam a assustar um iniciante. Ainda assim, quando a mão começa a fazer um pouco mais de sentido, temos o costume de cair em outra pegadinha, que é aquela de desenhar as mão muito racionalmente – dedos cuidadosamente nos seus lugares, paralelos entre si, cautelosamente alinhados. O resultado fica forçado e simplesmente falso para uma parte do corpo tão expressiva. Pode ser que as mãos sejam mais expressivas em certos personagens do que em outros – como por exemplo, em personagens nervosos ou insensíveis) mas você sempre vai querer que eles se pareçam reais, e as mãos permitem que você faça isso. Você fazer isso de duas formas: adicionado atitude (adicione drama ao gesto, resultando em uma posição dinâmica que provavelmente nunca foi usada na vida real) ou adicionando gestos naturais (observe as mãos de pessoas distraídas para entender a espontaneidade a qual eu me refiro). Não teria como eu mostrar para você todas as possíveis posições, mas coloquei aqui embaixo alguns exemplos de poses dramáticas e naturais:

*Repare que nesse caso em particular – lutadores treinados sempre irão posicionar seus dedos de forma paralela na hora de se preparar para dar um soco (já que é uma pose forçada). Caso não fizessem isso, poderiam quebrar as articulações.

Diversidade

As mãos variam de pessoa para pessoa da mesma forma que rostos variam de pessoa para pessoa. Mãos masculinhas são diferentes de mãos femininas, mãos jovens diferem de mãos idosas, e assim por diante. Abaixo estão algumas das classificações existentes, mas elas não abrangem todas as personalidades possiveis. Personalidade é uma boa palavra para a situação pode é útil desenhar as mãos como se elas fossem personagens com seus próprios jeitos de ser: delicados, sútis, cuidadosos, malvados e assim por diante.

Formato da Mão

Isso se trata basicamente da proporção dos dedos para com a mão:

Formando dos Dedos

Nem mesmo as unhas possem o mesmo formato! Bem, a Mãe Natureza pode nos dar unhas planas ou arredondadas, apesar de nós estilzarmos elas de acordo com a nossa preferência.

Hora de Praticar

  • Observa as mãos de outras pessoas. Primeiramente, observe a anatomia: como os dedos se posicionam, como as linhas aparecem e desaparecem, como certos detalhes dependem da tensão, etc. Depois, observe a diversidade: como as mãos masculinas diferem das femininas? Como elas mudam como a idade? Com o peso? É possível reconhecer alguém por suas mãos?
  • Faça rabiscos rápidos de mãos, utilizando referências próximas – as suas, do próximo, ou de fotos. Não há necessidade de se preocupar com as proporções corretas ou até mesmo com a aparências delas a princípio. Tudo se trata de captar a expressão.
  • Desenhe sua própria mão em diferentes posições, e com a ajuda de um espelho, desenhe ela também em diferentes ângulos. Tente desconstruir elas em formas simples – como se você estivesse desenhando bonecos palitos e depois preenchendo eles. Você pode começar de forma rápida e depois adaptar o desenho e adicionar os detalhes. Nos rabiscos abaixo o delineamento é bem sútil mas você pode ver as formas simples que foram usadas.

Fonte

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