quinta-feira, julho, 2015

Artes sociais: arte pela arte ou arte por uma causa?

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Controversa, autocentrada, escapista. A arte pode ser tudo isso e sua interpretação vai muito além da visão do artista. A arte conforta, provoca tabus, pisa em calos morais. Ela tem o poder de tocar e polarizar quem é tocado por elas, coloca sua audiência na pele do outro, do diferente.

Um exemplo de arte engajada e à flor da pele é o trabalho de Matheus Ribs. O jovem carioca tem chamado atenção nos últimos tempos.

Em tempos de protestos e polarização política, o mural de comentários dessas páginas tem se transformado em um verdadeiro campo de batalha ideológico, muitas vezes por causa de comentaristas virtuais que desviam o assunto da obra para combater diretamente a posição política do artista.

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Estudante de ciência política, Ribs é autoproclamado “ilustrador, militante, entre a arte e a revolução” em sua página do Instagram. “O artista tem que vandalizar”, é um dos manifestos estampado no título de uma das suas ilustrações. Endurecimentos à parte, Matheus não perde a ternura em composições que misturam histórias de amor e tragédias pessoais com questões polêmicas, no melhor estilo “introspecção opinativa”.

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Vida mais que besta

Para quem gosta de um traço solto e, principalmente, de humor negro, as tirinhas do Galvão, publicadas desde 1999 no site Vida Besta, são um boa respirada para “segundos de sabedoria” nas redes sociais. Suas tiras são curtidas diariamente por centenas de pessoas.

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“Fofo agressivo”, ou “rebelde nonsense”, Galvão é um típico goiano radicado em terras estranhas, mais precisamente em Santa Catarina. Para ele é bem comum precisar fazer duas versões da mesma arte, a original e uma mais leve. “Uma pra satisfazer o meu espírito de porco, pessoal e intransferível, e a outra para mandar pros jornais, para que a boa e saudável família possa ler sem grandes transtornos morais ou psicológicos”, esclarece.

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Versão light de uma tirinha que retrata o cotidiano de um casal gay, publicada no jornal Diário Catarinense.

O menino mais sensato do mundo

Criar obras inspiradas em tragédias pode parecer oportunismo barato, mas passa longe disso quando é feito com sensibilidade e, diga-se de passagem, muito tato. Foi o que aconteceu com uma tirinha do ilustrador Alexandre Beck, publicada na internet em 27 de janeiro de 2013, mesmo dia do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.

“Foi um dia longo e triste. As pessoas daqui estavam muito abaladas. Mas quando caiu a noite, veio uma lua cheia linda e um céu estrelado. Fiz a tirinha e publiquei no Facebook. Não foi para o jornal. Era um desabafo nosso”, declarou Beck em entrevista concedida na época de lançamento do seu primeiro livro de tiras.

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A tira teve mais de 10 mil compartilhamentos. A fanpage do Armandinho no Facebook, o personagem que conquistou o Brasil por misturar humor com crítica social no olhar inocente de uma criança, pulou de 300 amigos para 400 mil curtidores em alguns dias.

Como diz a máxima: a arte liberta. Mas sempre? Existem os artistas que ficam presos num mundo particular de angústias, e lá dentro, imersos entre amigos imaginários e monstros que representam os seus maiores traumas, lutam contra problemas da vida real. Há quem veja a tal da arte como uma forma de terapia para encarar a realidade quando ela é dura demais. Tem gente que vive mais de falar da arte do que fazê-la em si, pregam os críticos fervorosos.

Mas e aí, a arte precisa ter, necessariamente, uma função social?

Escolas inteiras de arte já se engalfinharam ao longo dos tempos em torno da questão. E poucos concordam com a mesma resposta. Gente grande, como o poeta Ferreira Gullar, tem uma posição mais sensata e conciliadora.

“Veja bem, a primeira função social da arte é a arte mesma. Porque a arte, em primeiro lugar ela amplia a vida das pessoas, ela dá alegria, ela enriquece a vida das pessoas. A sociedade é inventada, a vida é inventada, nós nos inventamos a nós mesmos, não arbitrariamente, mas, se eu tenho determinadas necessidades eu me invento na direção das minhas necessidades e se eu tiver capacidade eu vou avançar e de uma maneira ou de outra eu me invento escritor, eu me invento jogador de futebol, eu me invento fotógrafo, eu me invento cineasta, jornalista. Então a vida, ela é inventada.”

 

E você? Depois de conhecer e avaliar alguns trabalhos desses artistas brasileiros, cada um à sua maneira, qual é a sua opinião sobre a Arte: com A maiúsculo ou minúsculo?

 

One thought on “Artes sociais: arte pela arte ou arte por uma causa?

  1. “É bastante fácil mostrar que a arte abstrata, como qualquer outro fenômeno cultural, reflete as condições sociais e outras circunstâncias da época em que seu criador vive, e que não há nada na própria arte, dissociado da história, que a force a seguir numa ou noutra direção.” (GREENBERG, Clement. Rumo a um mais novo Laocoonte. 1940)

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